CIA DOS BLOGUEIROS


domingo, 11 de março de 2012

VISITE FLAUDILÂNDIA ANTES QUE ELA ACABE

QUINTO CAPÍTULO DA PRIMEIRA NOVELA BLOGAL.

Flaudilândia - Uma cidade seriamente gozada.

_ Diabos! Ficar olhando cobra e maçã  dá mais fome ainda. Comer papel não dá!


         Trimmmmmmmmm

_          _Esse telefone que não para de tocar...
             T
rimmmmmmmmm

           _ Ai que fome! Nem maçã, nem banana  e só uma explosão. Cadê o manual? Manual...  aqui está!
  
           _ T
rimmmmmmmmm

_ Alô!
_ De onde fala, por gentileza?
_ Uai! Ligou pra cá e não sabe de onde fala?
_ Hum... É daquela empresa? Digo... que faz qualquer tipo de serviço?
_ Hãããã.... E daí? Quer o quê?
_ Bem... eu estou com um problema de encanamento, há alguém aí ...
_ Hã! Tem não!
_ Oi, mocinho, eu voltei! Agora tem alguém que possa me atender para fazer um serviço de encanamento? Por que é que você está gritando?
_ Oi dona, voltou mesmo heim! Mas eu falo para a senhora voltar a ligar no outro dia, mas o dia nem acabou e a senhora já ligou quatro, cinco vezes... e não quer que eu grite? Não! Não tem ninguém hoje, nem agora e nem nunca vai ter alguém pra senhora, porque eu estou com o saco cheio de te atender,  sua burra! Sempre que eu vou pegar o meu manual a senhora me interrompe, pô! Estão todos com a agenda lotada. O meu pai foi eleito para, neste horário,   atender o departamento de obras de um lugar ai.

_ Ah, é mesmo?  E que tipo de serviço ele foi prestar lá?

_ Uai! Foi fazer o que ele sabe fazer com competência. Tampar buracos!

_ Nossa! Mais isso é muito bom. O seu pai deve ser um homem muito respeitado pela cidade toda. Tampar buracos é um ofício de muita importância para uma cidade que tenha buracos, você  não acha?

_ Acho?! Acho não senhora!  O buraco só fica tampado enquanto ele está fazendo o serviço. Depois que ele sai o buraco fica maior, só para deixar complicada a situação. Pra tampar  o buraco o meu pai fica na oposição.

_ Não entendi essa explicação! Se ele é chamado para tampar buraco, por que abre mais o buraco ao invés de tampá-lo? A cidade não é dele, fundada por ele. Logo... ele tem que fazer o serviço certo pra  contribuir com a própria cidade, você não acha, menino?

_ Dona, a senhora é burra demais! Se esqueceu qual é o nome do meu pai? Ele é contratado pra fazer as coisas, entende? Aí ele pega e faz, volta pra casa todo realizado da vida. Vou ficar pouco tempo aqui no atendimento, viu! Logo logo nasce outro irmão meu, do jeito que o papai está recebendo chamadas, a cidade vai multiplicar o número de habitantes. Flaudilândia vai ser uma cidade cheia de cidadãos. E ademais, de mais, e mais de mais nem todos os serviços solicitados são realizados em Flaudilândia. É Flaudilândia porque moramos aqui, oras... oras!!

_ Então eu ligo outro dia, já que hoje estão todos ocupados, e você leu o livro da árvore?  

_ Olha dona, o meu pai é um homem muito, muito, mais muito bom messsmooo! Se fosse um homem do mal demitia por justa causa ou sei lá, mandava fazer qualquer coisa com o incompetente do jardineiro que plantou essa árvore de gente aqui em Flaudilândia. Onde já se viu abrir um buraco e despejar dentro dele todos os tipos de sementes do mundo. Por isso saiu pencas de gente de todos os tipos. Ah, hoje ligou  uma  encruada aqui e foi muito engraçado. A dona exigiu que eu dissesse ao meu pai o nome dela. 

_ E você deu o recado pra ele?

_ Dona, seu eu dei o recado? Passei uma ligação imediatamente pra ele; ele remeteu aos meus irmãos e irmãs.  Se conseguir gravar na burrice da senhora, escuta o que eu o meu pai  disse:  Quando eu falei o nome da mulher que ligou aqui, o meu pai, só para sacanear a dona,  virou um bode.  Ele disse, não ele gritava, que ela é aquela mulher do “bule” * e que ela quer acabar com a nossa raça. Essa mulher está pensando que a nossa família é tonta, ela vai se ferrar nas nossas mãos. E mais. 
Que ela quer ir nas empresas que fazem “bule”. E meu pai falou que nós somos uma empresa que mais fabricamos “ bule” no mundo e que essa dona vai exterminar a nossa profissão. A nossa família  quer  eliminar essa dona, mas que ela jamais conseguirá se intrometer no nosso ramo de negócio. E que ela além de burra é muito intrometida. Ah, e tem mais, ele mandou eu dizer pra ela, quando ela voltar a ligar,  vir aqui na nossa empresa, conhecer a nossa empresa, que nós vamos mostrar os nossos ‘bules’ pra ela. Vamos encher cada um deles com um montão de coisas e fazê-la tomar tudinho. Mas tem outra coisa: aqui nós oferecemos o “bule” e tudo que pode ser colocado dentro dele, mas as nossas rosquinhas ninguém come. É para ela trazer a dela, porque bule sem rosquinha não dá café, nem chá, nem suco, nem água para lavarmos as nossas mãos do estorvilho  que ele disse que essa mulher é.

_ Meu querido, o seu papai falou tudo isso a respeito dessa senhora? Mas ele nem a conhece...

_ Como não conhece? As minhas irmãs, as mais velhacas, conhecem ela, estão doidinhas para apanhá-la. Vão fazer o regaço com ela, mulher do “bule”.

_ Querido, você é tão menino ainda, tem um jeitinho tão doce, me avisaria sobre alguma coisa, apesar de eu não ser essa senhora ai?

_ Que doce, dona? Aqui na nossa empresa até a literatura vira meleca. Romeu e Julieta, já ouviu falar nisso? Então, quando eles saem dizendo que tem uma sobremesa Romeu e Julieta para resolverem é serviço de acabar com o amor entre famílias. Sansão e Dalila, conhece?  É coisa de mulher que manda resolver com o marido do tipo que nem sabe onde está a cueca, a toalha de banho, ou a xícara de café... Ou  aquele que depois do churrasco entope o sofá da sala com a barriga dele.  Como o meu pai não gosta de abóbora, ele pega uma varinha de condão dele, faz a abóbora virar carruagem e pincha ela ribanceira abaixo só para ver o homem abóbora se espatifar e  come o queijo depois. 

_ Menininho..., é assim que vocês vivem?

_ Uai, dona! A senhora se esqueceu de onde moramos, e qual o nome da nossa empresa?

_ E cada investida de vocês tem o  nome de sobremesa?

_ Li ainda hoje, em uma dessas páginas, que o meu pai fez uma reunião e achou bom parar com o nome de doce, desde o último que quase matou a cidade, sabe? “Genocído” dos brabos

_ Não, querido, eu não sei, como foi, pode me contar?

_ Claro que posso, dona, já disse que eu acho a senhora muito burra e burrice não causa problemas a ninguém. Foi assim: Dita e Feito, conhece?

_ O que é isso? Outro doce?

_ Eita, não estou falando que é burra mesmo!?  Dita e Feito é um doce feito com sidra e doce de-leite coalhado.  Primeiro tem  que ralar a sidra, dar vários caldos nela, espremer até tirar todo o sumo, isso vai dias. Tem que deixar a fruta adocicada. Depois põe o produto ralado no tacho  e vai cozinhando. Tem que ter muita paciência para curtir bem  e deixar o doce  chegar no ponto. Ih... isso vai heim...  Num outro  tacho, à parte, vai cozinhando o leite coalhado, não pode ser leite homogeneizado, não!

_ Uai, não pode por quê?

_ Porque produto processado, -a senhora sabe o que é isso por acaso?  É que sofre processo - ,  não dá boa evolução, não chega ao  ponto certo. Tem que ser leite de vaca caipira, daquela do povo mesmo, que amassa barro, que come grama quando tem, né?! Tirado direto no  curral e deixado coalhando num canto.  Os dois doces estando no ponto, aí depois de frios, misturam numa vasilha e deixa gelar, que dá pra mais de muitas sobremesas.
 Mas acontece... que pela demora do preparo e cozimento das coisas, o povo da cidade não teve paciência de esperar os produtos chegarem no ponto e dividiram o doce cru pela cidade toda. Dona! Vou te contar uma coisa pra senhora. Deu uma cagança no pessoal que quase se perdeu mais da metade da cidade. Alguns irmãos meu, muito preocupados com a situação,  acabaram distribuindo panfletos “Visitem Flaudilândia antes que ela acabe” .  Muitos irmãos não podiam ver um panfleto grudado num carro que já iam metendo a bunda para limparam a sujeira, já que papel higiênico  se esgotou no estoque. A sujeira foi tanta que tem carros com uns borrões com a assinatura do dono da sujeira até hoje: “Sou mais Flaudilândia”.
 A preocupação tomou conta de todos, que até uns outros irmãos se reuniram para orar. Saíram pregando também:  “Se amam a cidade orem por ela”.  Fizeram tanto  para a cidade que acabaram recebendo a chave de um importante departamento de descarga. Quem queria dar uma destemperada tinha que pedir a chave para os irmãos.  Dona, o negócio foi feio. A descarga foi tão elétrica que ficaram todos na posição de quando Napoleão perdeu a guerra.
Até os cagagangues enterrados na Velha Senhora  revolveram a terra, e fantasmas da tribo saíram com a faca na mão para passar manteiga no pão. O circo foi armado e nem era carnaval ainda. Coisas para assustar as criancinhas, já que a elas não foram atribuídos nenhum papel nesta doceria.  Esse negócio de sobremesa não sei se vai continuar no cardápio.
Mas por precaução, guardamos uma ‘tapoer’ cheinha do doce na geladeira, Vai que, né? 
_ Quem são esses cagagangue enterrados na Velha Senhora? Por que eles não estão na árvore?

_ Eita cabecinha difícil a da senhora? Preste atenção, dona!  Cagagangue é uma das sementes da árvore, entende? Eram muitos, por isso foi enterrado no buraco da velha, porque era maior. Se a senhora em questão fosse nova, no buraco não caberia a tribo toda.

_ Mais que história mais horrorosa, Flaudinho? Leu isso aonde, em algum livro?

_ Claro que não. Peguei numas fichas dentro de uma arca  que fica no meio da biblioteca -  N.A.P.O.

_ Que é isso Napo? Código secreto?

_ É  uma sigla:  Nenhum Arquivo Permanecerá Oculto.  Deve ser de muita valia para a cidade, porque está muito bem conservada. Folheada a ouro e cravejada com pedras preciosas. Um luxo de arquivo com uma placa: “Sob esta égide  sobrevive uma História”  .        

_ Estou estarrecida com o início de história da sua vida. Aprendeu tudo isso antes mesmo de terminar o seu primeiro dia e já está irritado, gritando e atende telefone, sobe em árvore...  
_ Dona. A senhora já ouviu falar em milagres? Verossimilhança? Além do mais se esqueceu que eu estou dentro de uma biblioteca? Enquanto vou fazendo as minhas fraldas, para esquecer a minha fome e a dor do meu punho, vou lendo as páginas também.

Vocês têm cardápio diversificado ai? Tem um prato típico nessa cidade?

_ Ainda não experimentei nenhum, mas li que  “ Rabada”  é o prato típico mais conhecido no selvisserve . “Rodízio de Pacu” assado tem boa pedida.  Tem o “Caldo escaldado”, somos artista nisso. “Cobra casqueirada” já apareceu até no programa do periquito. “Pinto a passarinho no espeto”, já viu isso? É pra comer de joelho, rezando. “ Rã pejorativa da vizinha” é uma delícia no delíveri.

_          Nossa!!!!!!!! Mas essa cidade é muito interessante mesmo.
-          A dona está duvidando? Vem pra cá que mostramos o nosso serviço.
-          Não posso ir aí, eu estou precisando de alguém que arrume o meu encanamento.
-          Dona, eu vou anotar o seu nome de novo, logo que o meu pai chegar eu dou o recado pra ele. A senhora liga amanhã? Promete?

_ Prometo, Flaudinho. Eu prometo que volto amanhã.
_ Obrigado, dona. A senhora é burra, mas eu estou  gostando da senhora.

_ E não é que é?
_ E não é que foi!

Tum tum tum tum tum tum tum tum

_Mulher casca grossa, típico de gente burra. Desligou na minha cara. Vou aprontar com ela amanhã.Vai ver só! Acho que passar fome faz parte mesmo da resistência de um guerreiro. Tantos pratos tipicos e eu aqui sem maçã, sem banana, nem rabada , nem nada!  Aff! Tomara que esse telefone não toque mais por hoje.

* bullying 

Continua...
Rita Lavoyer  







4 comentários:

  1. Pois é, bagunçaram tanto que acabaram com a coisa boa.Antigamente não se usava o papel, era à larga. A cobra se deliciava em contato com a maçã.Não havia fome. Hoje é esta maçã sem graça, insípida, insossa e haja esforço de imaginação pra esquecer o papel.

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  2. Bem no Dia do Bibliotecário... Flaudinho deve estar a mil por hora entre livros, pós e traças... ô dó do pobre que não tem a Johnson para lhe fornecer as fraldas... Então... dá-lhe um cardápio meio asqueroso entre "rabada / pacu / pinto a passarinho / rã da vizinha... via deliveri!! Haja cobra pra devorar as "pseudos- maçãs"... Na certa ele precisará agendar visita a um psicoterapeuta! Até a próxima, Flaudinho! Comporte-se, hein!!

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  3. Flaudino é um caso de estudo científico! Com um dia de vida já sabe até a posição na qual Napoleão perdeu a guerra! Será que via cordão umbilical os conhecimento da sua genitorrita, passaram a ele? Também há que se estudar, à semelhança do Chapeuzinho Vermelho, a razão da genitorrita tê-lo deixado à própria sorte. Estaria ela cheia dos trabalhos que o amor à família impõe? Sacudiu o jugo e deu no pé? "Voltará humilde e despida de toda essa vaidade?" Essa parte é a letra, mas tem a música. Mas gostei mesmo e muito da arca "Nenhum Arquivo Permanecerá Oculto" Um grande escritor ficará eternizado também pelo moderno Macunaíma. E o tal de búlingue já arrumou seu nome na nossa língua "Bule" dado pelo Flaudinho E vc fique sabendo que eu sei escrever YOU. Viu? Os dedos é que são lesos. Depois prá que existe o google tradutor? Célio que se cuide e não durma no sofá, pode virar abóbora e rolar morro abaixo e como é um cara doce virar doce de abóbora. E, tim-tim de vinho branco que amei, vê se some beijos sem sumir . Anonima Maria Luzia

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  4. Ora ora... agora eu vi café no "bule"!

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